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Tudo começou com as mesas girantes

Adilson Gomes e Iliana Quelhas

A nomenclatura Doutrina Espírita ou dos Espíritos decorre do fato de terem sido eles, os Espíritos, que trouxeram os esclarecimentos a respeito das manifestações ou fenômenos espirituais que despertaram a atenção do mundo, particularmente, em meado do século XIX, com as chamadas “mesas girantes e dançantes”. “O efeito mais simples, e um dos primeiros a serem observados, foi o do movimento circular numa mesa. Esse efeito se produz igualmente em qualquer outro objeto. Mas sendo a mesa o mais empregado, por ser o mais cômodo, o nome de mesas girantes prevaleceu na designação desta espécie de fenômenos.[1]

Amplamente difundidos na Europa e nos Estados Unidos, os fenômenos de efeito físico, num segundo momento, despertaram o interesse científico em desvendar as possíveis causas que, de forma aparentemente invisível, produziam os movimentos nos objetos. O que havia por trás do espesso véu do desconhecido e da superstição começou a ser levantado, contrariando os argumentos cegos e revelando com “provas irrecusáveis a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corporal”[2].

Uma nascente Doutrina de cunho religioso-filosófico-científico despontava no horizonte, trazendo novas esperanças para a elevação espiritual da Humanidade, numa época em que predominava na Europa o pensamento materialista, racionalista e científico. Kardec estava ciente da grandiosidade da sua missão: “Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida”[7].

Finalmente, em maio de 1855, aceitou o convite feito pelo Sr. Pâtier para assistir às experiências realizadas na casa da Sra. Plainemaison. Como nos relata Kardec: “Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida.”[5] Ficou convencido de que algo mais sério ocorria por detrás daquele fato.

Diante disso, o Professor Rivail concluiu sobre a existência dos Espíritos, ao verificar que a origem das manifestações era extraterrena, geradas por almas de pessoas que haviam vivido na Terra. Mas, foi somente em 1856, na casa do Sr. Baudin, após observações cuidadosas, que Kardec inicia “O Livro dos Espíritos”[6].

“Frequentando reuniões inúmeras, onde, por meio da “cesta”, muitas vezes se obtinham comunicações que deixavam fora de qualquer dúvida a intervenção de entidades estranhas aos presentes”[8], Rivail formulou diversas perguntas, metodicamente organizadas, cujas respostas gradativamente foram sendo explicitadas pelos espíritos. As questões tratavam sobre Filosofia, Psicologia e a natureza do mundo invisível. Médiuns diversos colaboraram como intermediários com o além – pessoas com aptidões e percepções mais aguçadas, capazes de captar e traduzir os pensamentos dos espíritos.

Assim, Kardec sistematizou e codificou todo esse conhecimento, revelando em sua obra o registro de um espírito crítico e observador profundo dos homens e das coisas, “uma prudência, um equilíbrio, uma sobriedade, um espírito positivo e despreconcebido, um bom senso”[9]. Correlacionou os relatos dos Espíritos aos médiuns, com pesquisas sobre a existência de dados que pudessem dar a eles uma base coerente e plausível. Deste modo, foram sendo construídos os livros básicos da Doutrina Espírita: O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno. 

Com esse breve histórico sobre a origem dos pilares do Espiritismo, temas como esse e outros são enfocados no ESDE através de reflexões e questionamentos. Pois, só a fé raciocinada pode nos dar o rumo seguro para seguirmos o roteiro traçado por Jesus no Evangelho.

Esperamos que você se motive para saber mais sobre a Doutrina Espírita, matriculando-se no ESDE da nossa casa.